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Conheça os vencedores do Prêmio Professores do Brasil na categoria Esporte como Estratégia de Aprendizagem

Cinco professores de Educação Física foram premiados pela criatividade e impacto positivo das suas aulas

Pelo segundo ano consecutivo, o Prêmio Professores do Brasil, do Ministério da Educação, reconhece o trabalho de cinco profissionais da Educação Física na categoria especial “Esporte como Estratégia de Aprendizagem”.

Os mais de 300 inscritos foram avaliados de acordo com quatro critérios: ampliação do cardápio esportivo; incentivo à inclusão e diversidade; fortalecimento da cultura esportiva, e promoção do desenvolvimento integral, ativo e saudável dos alunos.

As escolas dos cinco ganhadores vão receber R$5.000,00, e os professores premiados uma viagem ao Rio de Janeiro, onde irão participar de uma cerimônia oficial, visitar o Parque Olímpico e outros pontos turísticos da cidade.

E sem mais delongas… eis os cinco grandes campeões do Prêmio Professores do Brasil na categoria “Esporte como Estratégia de Aprendizagem”!

Leonardo Coelho de Deus Lima – Teresina (PI)

Com apenas 29 anos, o professor Leonardo já está dando um show nas aulas de Educação Física do Instituto Federal do Piauí. O projeto “Educação Física Adaptada: Análise, Reflexão e Ação” surgiu depois perceber a falta de respeito e acessibilidade às pessoas com deficiência na região. Leonardo decidiu utilizar o esporte como ferramenta para promover a inclusão em cinco etapas com os alunos:

  1. Pesquisa de campo: avaliação dos problemas de acessibilidade da região
  2. Aprofundamento teórico: debates de textos e filmes sobre deficiência, em parceria com a aula de Sociologia
  3. Prática: experimentação de esportes Paralímpicos, como futebol de cinco, goalball e vôlei sentado
  4. Intervenção: participação em uma audiência pública, apresentando às autoridades os problemas observados na pesquisa de campo
  5. Conscientização da população: passeata pela cidade, em parceria com o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência (COMUDE)

Leonardo conta que um dos momentos mais marcantes foi o futebol de cinco, quando os jovens foram vendados. “Uma das alunas começou a chorar muito. Ela falou que estava muito angustiada e com sensação de impotência”. O professor, então, respondeu: “agora imagine o dia a dia de um cego que não possui espaços públicos adaptados?”.

Lucia Dagmar Arruda – Lucas do Rio Verde (MT)

Quem falou que aprender é chato? A professora Lucia, da Escola Municipal Vinicius de Moraes, resolveu organizar a “Gincana Educativa” para ajudar na preparação dos alunos para o IDEB 2017. Em parceria com os professores de Português e Matemática, Lucia propôs atividades que fizessem os alunos não só decorarem, mas entenderem de que forma o conteúdo das aulas era importante no dia a dia. “Eles produziram cartazes, gritos de guerra e eu ouvia elogios e demonstrações de ansiedade para que chegassem logo os dias da gincana”, conta ela.

A gincana foi desenvolvida em três sextas-feiras durante o período de aula, envolvendo os alunos do 5° ano. A professora também trabalhou o conceito de fair play: em caso de brigas, as equipes envolvidas perdiam pontos.

Entre as atividades, estavam trava-línguas, testes de pontuação gramatical, corrida de letrinhas, operações matemáticas, corrida de saco e muitas outras. No final, um desfile fechou a gincana com chave de ouro.

“É uma alegria ver a evolução dos alunos durante as provas e saber que parte disso veio da magia da gincana. Os jovens ficaram mais esforçados e curiosos”, conta Lucia.

Mariana Silva Barros – Tucuruí (PA)

A falta de equipamento esportivo na Escola Municipal Mariana Leão Dias não impediu que a professora Mariana inovasse nas aulas de Educação Física. Cerca de 380 alunos, muitos deles ribeirinhos e indígenas, foram beneficiados com o projeto “Democratizar o Ensino do Atletismo na Escola: Procedimentos Alternativos para a sua Aplicabilidade“.

Com os objetivos de desenvolver as capacidades motoras dos jovens e despertar o gosto pela atividade física, a professora Mariana botou a mão na massa e, com a ajuda dos alunos, construiu o equipamento esportivo com materiais alternativos. Cabos de vassoura, cano de PVC, vara de bambu, pratos descartáveis, meias velhas… tudo foi adaptado para a prática esportiva de três categorias do miniatletismo: corridas, saltos e arremessos.

Antes de começar as atividades práticas, a professora bateu um papo com os alunos. “Usei exemplos de atletas como o Thiago Braz (recordista Olímpico de salto com vara). Alguns alunos achavam que atletismo era só correr”, explica ela.

O sucesso do projeto foi tão grande que Mariana decidiu organizar o primeiro “Circuito de Atletismo da Escola”, no qual também participaram alunos com deficiência.

André Luiz Cyrino – Fortaleza (CE)

Os 1100 alunos da Escola de Ensino Médio Mariano Martins, em Fortaleza, estavam acostumados a praticar apenas três esportes: vôlei, futsal e basquete. Às vezes, eles também jogavam queimado, ou carimba, como é conhecida a brincadeira na região.

Essa falta de variedade esportiva ficou no passado depois do projeto “Vivendo a Cultura Corporal de Movimento no Ensino Médio“, do professor André.

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André conta que havia uma contradição na atitude dos jovens. “Eles apresentavam resistência ao trabalho que se distanciava da zona de conforto deles, mas ao mesmo tempo pareciam fascinados pelas novas formas de vivenciar o próprio corpo”.

Para promover as novidades, o professor dividiu as atividades nos quatro bimestres:

  1. Danças e diálogos relacionados (preconceito de gênero, expressividade…)
  2. Lutas, com destaque para a capoeira, e diálogos relacionados (valores éticos, violência e agressividade…)
  3. Práticas corporais de aventura (slackline, parkour, escalada…), práticas alternativas (yoga, meditação, pilates…) e diálogos relacionados (preservação ambiental, autoconhecimento…)
  4. Ginástica (Olímpica, rítimica, acrobática) e diálogos relacionados (trabalho em equipe, valores humanos…)

“Todas as atividades buscam estimular o contato com o colega, e promovem valores como humildade, respeito e amizade”, explica o professor André.

Weliton de Freitas Silva – Figueirópolis (TO)

O professor Weliton estava cansado de chegar na aula e ouvir dos alunos: “Vamos jogar futebol hoje?”. Pensando nisso ele desenvolveu o projeto “O Brasil não é somente o País do Futebol, como uma grande maioria prega por ai!“.

Weliton percebeu que a falta de outros esportes gerava um problema grave. “Os alunos que não queriam jogar ficavam embaixo de um pé de manga próximo às salas de aula, e muitos rabiscavam seus nomes nas paredes dos muros”, conta ele.

Em apenas um ano, o professor introduziu o atletismo, badminton, basquete, handebol, tênis de mesa, vôlei e xadrez, além de material teórico e conteúdo sobre a importância de preservar o patrimônio público. “Os alunos também auxiliaram na demarcação das linhas e na manutenção das quadras”, explica.

Vendo a empolgação dos jovens, o professor decidiu promover um torneio Interclasse no município, que contou com a distribuição de medalhas, sorteio de brindes, torcida organizada, ajuda dos colegas professores para arbitragem e apoio da Prefeitura para transporte dos alunos e oferta de ambulância.

“Quem quiser organizar um projeto parecido, pode ter certeza de que os alunos vão aprender novos conteúdos, dar importância à atividade física regular e ao bem estar psicológico de todos”, resume Weliton.

Saiba mais sobre o Prêmio Professores do Brasil e veja como foi a premiação de 2017:

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1 comentários

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  1. Mariana disse:

    Oportunizar os professores a mostrarem seus trabalhos na educação é de grande valia e com o resultado do trabalho ser premiado e valorizado. Nós impulsiona com mais motivação.