Cobertura

Estudo revela que educação física escolar afeta prática esportiva na fase adulta

Segundo pesquisadores da Universidade Estadual de Iowa, experiências nas aulas anos atrás moldam forma como nos sentimos em relação aos exercícios

Como nos sentimos durante as aulas de educação física há anos ou décadas, pode moldar como nos sentimos hoje sobre o exercício e se optamos por ser fisicamente ativos ou não, é o que diz um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Iowa, em Ames, nos Estados Unidos, e divulgado pelo The New York Times. O resultado desta pesquisa sugere que nossas experiências nas aulas de educação física têm implicações não só na nossa compreensão e motivação para fazer exercícios, mas também em como apresentamos aos nossos filhos o esporte e as atividades físicas.

Segundo estatísticas de saúde, cerca de dois terços dos adultos no mundo ocidental raramente se exercitam. Existem muitas razões pelas quais somos sedentários, mas a maioria dos cientistas comportamentais concorda que nossas atitudes sobre o exercício desempenham um papel determinante. Se esperamos que a atividade física seja divertida e prazerosa, muitas vezes nos exercitaremos. Se não, nós não vamos. Entretanto, como desenvolvemos essas crenças sobre a prática esportiva não está claro.

+Inscreva-se no curso de Impulsionador Esportivo e amplie seu conhecimento!

Foi baseado neste conceito, que um grupo de estudiosos americanos começou a se perguntar se nossos sentimentos em relação à prática esportiva podem ter raízes nas aulas educação física, que muitas vezes são a primeira introdução que muitos de nós têm para o exercício formal. Para descobrir, eles criaram um questionário online especializado e demorado que pedia as pessoas que refletissem e classificassem suas memórias e como se sentiam agora com o exercício, usando uma elaborada escala numérica.

Os pesquisadores perguntaram sobre os hábitos de atividade física dos entrevistados e quanto tempo cada um deles passava em movimento ou em uma cadeira, especialmente nos finais de semana. Também pediram que descrevessem, em suas próprias palavras, sua melhor ou pior lembrança das aulas de educação física. O questionário foi publicado em um site dedicado a estudos acadêmicos e recebeu mais de mil respostas de homens e mulheres com idade entre 18 e 40 anos.

De acordo com o estudo, completar o formulário parece ter sido catártico os entrevistados, dada a profundidade e especificidade de muitas de suas respostas. As memórias das pessoas com as aulas de educação física se revelaram surpreendentemente “vívidas e carregadas de emoção”, escreveram os pesquisadores no trabalho publicado em agosto no jornal Translational do American College of Sports Medicine.

As memórias tinham longas sombras, afetando os hábitos de exercício das pessoas anos depois. As associações mais consistentes foram entre lembranças desagradáveis ​​e persistente, afetando a prática esportiva anos depois. Os entrevistados que não gostavam de aulas de educação física quando crianças tendiam a relatar que não esperavam gostar de exercícios agora e não planejavam se exercitar nos próximos dias. Já aqueles que tinham prazer, por outro lado, eram mais propensas a relatar que esperavam que os exercícios fossem agradáveis ​​e que eles estivessem ativos nos finais de semana.

As razões pelas quais as pessoas não tem boas lembranças da ápoca da escola foram diversas. Muitos disseram que odiavam ser escolhidos depois ou por equipes esportivas, ou se sentiam envergonhados por performances esportivas desastradas. Alguns também relataram desconforto se despir na frente de outros alunos, e alguns descreveram bullying e insultos, inclusive de professores. Muitos também disseram que temiam os testes de aptidão que são comuns em aulas de educação física, principalmente nos Estados Unidos.

As pessoas envolvidas neste estudo foram um grupo escolhido que por acaso, então suas respostas podem não ser aplicadas para todos. Os resultados também dependem de memórias e recordações, que podem não ser confiáveis.

“Os resultados nos lembram que a maneira como nos sentimos sobre o exercício é importante, e que para incutirmos atitudes positivas em relação à prática esportiva,  é preciso repensar alguns programas de educação física escolar.  Se esportes estão envolvidos, “escolha times aleatoriamente”, e para crianças mais novas, não enfatize completamente a competição, promovendo atividades como dança ou yoga. Considere, também, minimizar os testes frequentes de condicionamento físico, o que desmoralizou muitos entrevistados do estudo”, comentou Matthew Ladwig – de graduação da Universidade Estadual de Iowa que conduziu o estudo.

Deixe seu comentário

1 comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Luciane Cristina Nunes Cardoso disse:

    Muito interessante. Tenho ótimas lembranças das aulas de Educação Física, acabei me tornando professora de Educação Física. Mas também tenho consciência que para muitos não foi nada agradável, por isso procuro tornar todas as minhas aulas agradáveis para TODOS.