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Ginástica Artística – história, regras e muito mais

Modalidade surgiu na Grécia Antiga e pode ser ensinada nas escolas de forma lúdica e divertida

A Ginástica Artística é uma das práticas desportivas mais antigas da humanidade, com referências desde a pré-história. O que se deu ao longo dos séculos foi a afirmação, a fundamentação e o aperfeiçoamento de uma das mais belas atividades físicas que existem. Para entender o que vemos hoje nos ginásios pelo mundo e nos diversos aparelhos que integram a modalidade, precisamos voltar no tempo para mostrar como surgiu a atividade.

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A história

Estudos indicam que a ginástica artística teria surgido de forma simultânea na Grécia Antiga, como uma atividade física atlética, e no Egito Antigo, onde as pessoas realizavam acrobacias circenses nas ruas para entreter os pedestres. Como a prática desenvolvia habilidades corporais importantes, como força e elasticidade, ela passou a ser adaptada no treinamento militar.

A ginástica caiu em desuso com o passar do tempo, retornando somente na Idade Moderna, mais precisamente no século XV. O surgimento preciso da atividade como esporte aliado à educação veio no início do século XIX, com o professor Friedrich Ludwig Jahn (1778 – 1852). Foi em Berlim que Jahn fundou o primeiro clube de ginástica. A proposta inspirou jovens da cidade em prol do orgulho alemão. Jahn também ficou marcado por criar regras específicas, aparelhos diferentes e um sistema de exercícios físicos chamado Die Deutsche Turnkunst (em português: a arte gímnica), considerado matriz na ginástica artística atual.

No final do mesmo século, surge a Federação Internacional de Ginástica, em 1891 – uma das entidades esportivas mais antigas do mundo. Poucos anos depois, em 1896, a atividade fez sua estreia em Jogos Olímpicos (apenas com os homens). Desde então, são mais de 100 anos de aperfeiçoamento e graus de dificuldades cada vez mais elevados.

Entenda a modalidade

É importante entender os equipamentos utilizados na prática da ginástica artística profissional, que se diferem entre homens e mulheres. A intenção declarada dos idealizadores do esporte era mostrar a beleza dos movimentos femininos, frente à força das ações masculinas.

São aparelhos estritamente femininos:

As barras assimétricas, que avaliam a força e o equilíbrio nos movimentos entre duas barras de metal que ficam a 2,36m e 1,57m de altura;

Jovem atleta parece voar de uma barra para a outra

A trave olímpica, barra revestida com material aderente, situada a 1,25 metros do chão, com cinco metros de comprimento e dez centímetros de largura.

Atleta faz contorcionismo na trave olímpica, com as mãos apoiadas na trave e as pernas em direções opostas no ar formando um ângulo de quase 180 graus com elas

Já os aparelhos especificamente masculinos são:

Cavalo com alça (dimensões: 1,15 m x 1,60 m x 35 cm), para verificar o equilíbrio do ginasta sobre uma mesa com alças ajustáveis;

atleta homem vestido de branco seguro nas duas alças sobre uma barra horizontal e ergue seu corpo na direção esquerda com as pernas esticadas sem tocar na barra

As argolas, que tem como estrutura duas argolas, a 2,75 metros do solo;

As barras paralelas, que aferem o equilíbrio do ginasta ao trabalhar com seus braços entre duas barras de 1,95 x 3,5m, além de estarem distanciadas entre 42 e 52 cm;

atleta "levita" sobre duas barras de ferro paralelas, como se tivesse se lançado para o alto

A barra fixa, sobre uma estrutura de metal a 2,75 m do solo e possui 2,40 m de comprimento;

atleta se seguro sobre barra fixa

Ainda restam os aparelhos comuns aos dois gêneros:

A salto, mais conhecido como o “salto sobre o cavalo”, que funciona com a corrida de um ginasta até um trampolim para fazê-lo saltar sobre uma mesa com o objetivo de realizar acrobacias no ar;

atleta com camisa amarela e short azul apoia mão esquerda sobre trampolim para saltar

E finalmente o solo, que funciona com uma apresentação sobre o tablado para avaliar os movimentos de acrobacias, força e equilíbrio.

atleta deitada no solo estica todo o corpo para trás

As competições podem ser separadas por aparelhos, tendo atletas especialistas para cada um deles, ou no âmbito geral, para verificar qual ginasta é o mais “completo”, saindo-se bem em todas as atividades. Em grandes competições, há também a avaliação por equipes.

Tudo isso parece muito complexo e requer equipamentos caros. Mas os movimentos básicos da ginástica artística podem ser ensinados na escola de maneira adaptada, lúdica e divertida. Clique AQUI para acessar um curso online que ajuda o professor de Educação Física a levar este esporte para a aula. A formação apresenta a ginástica artística aos alunos, incorpora este esporte no planejamento e amplia o cardápio esportivo.

Os países mais vencedores da Ginástica Artística

Já com a consolidação do esporte nos moldes atuais, a partir do século XX, começaram a surgir as potências na modalidade. Com uma referência europeia desde o início dos anos de 1900, começou a despontar a partir de 1950 a nação que dominou a ginástica por mais de 40 anos: a União Soviética.

Com o advindo da Guerra Fria, o governo local fez investimentos nas modalidades esportivas para competir com os Estados Unidos. Uma das atividades escolhidas foi a ginástica. Surgiu então a grande equipe de Ginástica Artística do país. Contando a partir de 1896, a União Soviética conquistou 184 medalhas olímpicas, sendo 73 de ouro. O número é bem superior às 114 conquistas norte-americanas (com 37 medalhas de ouro).

Não podemos deixar de mencionar duas potenciais orientais: China e Japão, que se destacam cada vez mais no cenário mundial.

Os grandes nomes do esporte

São nos Jogos Olímpicos que grandes nomes do esporte ficam marcados na história. A União Soviética apresentou ao mundo estrelas como Larissa Latynina (ucraniana de nascimento), a maior medalhista olímpica seguida de Olga Korbut, Ludmilla Tourischevae e Nellie Kim.

Há que se destacar também as atletas da Romênia. Uma em especial impressionou o mundo com seu desempenho nos Jogos de 1976, em Montreal, no Canadá. Trata-se de Nadia Comaneci, à época com 16 anos. Ela registrou a primeira nota 10 da modalidade. Veja este momento inesquecível no vídeo abaixo.

Entre os homens, também são muitos destaques. Do Japão, Sawao Kato marcou época ao conquistar três medalhas Olímpicas de ouro entre 1968 e 1976. Já o russo Nikolai Andrianov é um dos grandes nomes do esporte por ser o homem com mais medalhas (em 2001, ele foi alçado ao Hall da Fama do esporte). Por fim, surge o chinês Zou Kai, o mais novo do trio, com três ouros conquistados na Olimpíada de Pequim, em 2008.

A americana Simone Biles é considerada a mais completa ginasta da atualidade. Ela soma 20 medalhas em mundiais, sendo 14 delas de ouro. Em sua única Olimpíada até agora (Simone tem apenas 22 anos), no Rio, foram cinco medalhas, sendo quatro de ouro.

captura de tela do instagram da atleta americana simone biles comemorando uma vitória

A Ginástica Artística no Brasil

Veio da Alemanha a primeira referência da Ginástica Artística para os brasileiros. Os imigrantes alemães recém-chegados ao Rio Grande do Sul, em meados do século XIX, trouxeram os ensinamentos do professor Friedrich Ludwig Jahn. As primeiras competições, porém, têm sede em Santa Catarina, já no final da década de 1850.

Ao longo dos anos, o desenvolvimento da modalidade esbarrou nas especificidades de seus aparelhos. Eram poucos os clubes ou instituições de ensino que ofereciam um tablado para a prática do solo ou uma trave para treinamentos de equilíbrio. O primeiro torneio nacional aconteceu apenas em 1950, reunindo atletas gaúchos, cariocas e paulistas.

A Confederação Brasileira de Ginástica ganhou forma na década de 1970, logo se filiando à Federação Internacional de Ginástica e ao Comitê Brasileiro de Desportos (o atual Comitê Olímpico Brasileiro).

Nossos campeões

A estreia brasileira nos Jogos Olímpicos aconteceu em 1980, em Moscou, na Rússia. Na década de 1990, o nosso grande destaque na modalidade foi Luisa Parente, única a disputar duas Olimpíadas em sequência (1988 e 1992). Somente na década de 2000, o investimento no esporte ganhou forma com o surgimento de clubes voltados à modalidade, especialmente no Sul do país, em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Teve grande importância no cenário nacional Oleg Ostapenko, técnico da seleção brasileira de ginástica por quase toda a década. Nas mãos do ucraniano, o Brasil passou a disputar medalhas nas competições internacionais. O país passou a concorrer com Cuba, Canadá e Estados Unidos pelas primeiras posições em Jogos Pan-Americanos.

Em mundiais,  destaque para Daiane dos Santos, primeira brasileira a conquistar um ouro (no solo). Já em Jogos Olímpicos, os homens  fizeram história com importantes resultados. No Rio, Diego Hypolito e Arthur Nori  celebraram medalhas. Em Londres, quatro anos antes, Arthur Zanetti levou o único ouro brasileiro em Jogos (nas argolas). Veja no vídeo abaixo.

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