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Pesquisa analisa o esporte como ferramenta de empoderamento e inclusão de jovens

A pesquisadora Carla Luguetti acompanhou um grupo de meninos e analisou o impacto do esporte como ferramenta no processo de aprendizagem

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Com a meta ambiciosa de encontrar dados científicos que comprovassem que, o usar o esporte como estratégia pode mudar a realidade de jovens de comunidade vulneráveis, a pesquisadora Carla Luguetti acompanhou um grupo de 17 meninos entre 13 e 15 anos, integrantes de um projeto de inclusão social em Santos, e analisou o impacto do esporte em seu processo de aprendizagem.

O estudo, realizado em 2013, rendeu no ano passado um prêmio outorgado pela American Educational Research Association (AERA) à Professora Doutora. O artigo publicado na revista Physical Education and Sport Pedagogy foi escolhido como melhor do ano de 2017 por meio de votação entre 93 doutores da área.

Em seu trabalho, Carla buscou metodologias pedagógicas adequadas à aplicação de um projeto esportivo em comunidades carentes. Após a primeira análise, a pesquisadora concluiu que seria necessário desenvolver um novo modelo pedagógico focado no empoderamento desses jovens. Na segunda parte do estudo, realizado em campo, a pesquisadora observou os treinos e promoveu diálogos semanais.

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Com os professores, ela debateu formas de aperfeiçoar o treino e a relação com os alunos. Baseado na experiência, Carla determinou cinco elementos críticos essenciais para criar um espaço de empoderamento e protagonismo entre os jovens.

  • A importância de uma pedagogia centrada no aluno, representando a capacidade e a vontade dos treinadores de ouvir os jovens e encontrar formas de ensino que atendam às necessidades deles;
  • Abordagem ativista baseada em questionamentos, processo por meio do qual os jovens podem nomear as suas experiências e, com o auxílio de adultos, transformar sua situação e gerar oportunidades quando possível;
  • Ética do cuidado, significando o respeito aos jovens e afetividade do treinador. Por exemplo, para os jovens, um treinador deve ser: “como um psicólogo”, “[alguém] que me olha nos olhos”, e “alguém que poderia ajudar outras crianças a não ir a uma vida de crime”.
  • Atenção para a comunidade. Para lidar com jovens residentes em áreas de vulnerabilidade social, é essencial estar ciente dos problemas com que se deparam à prática de esportes.
  • Comunidade do esporte, na qual treinadores, jovens, pais e pessoas responsáveis pelo projeto esportivo devem trabalhar em conjunto para ajudar os jovens a criar oportunidades. Ou seja, a partir do diálogo, todos os atores da comunidade (alunos, treinadores, coordenadores) atuam juntos para pensar mudanças.

“O professor que trabalha com esporte e quer trabalhar com empoderamente precisa de alguma maneira dialogar com os alunos sobre os problemas que eles enfrentam na comunidade e um dos caminhos é levantar as barreiras que eles têm. E aí várias coisas vão aparecer. Falta de oportunidade para jogar, violência, saneamento básico. Dependendo da comunidade as respostas podem ser diferentes”, explicou.

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Em termos de resultado, Carla contou que os alunos tiveram uma melhora expressiva na comunicação, passaram se comprometer e ser mais responsáveis com os treinos. Segundo a pesquisadora, os jovens se tornaram mais autônomos durante as aulas, resultado de um ensino mais dialógico. Além disso, eles também passaram a valorizar mais o conhecimento dos colegas e parceiros de equipe. E as mudanças aconteceram dos dois lados: alunos e professores.

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“Os professores ficaram mais confortáveis em um espaço que é desconfortável. Que o espaço desconfortável é esse¿ O espaço que o professor não é mais aquele que e manda, mas cria um diálogo. Que escuta e tem várias vozes que serão faladas ao mesmo tempo. Nesse espaço em que ele precisa aprender também. Ele não vai lá apenas para ensinar o que sabe de maneira linear. Um ambiente mais imprevisível. Eles também aprenderam a valorizar o conhecimento dos alunos. Entender que os alunos também entendem do próprio processo de aprendizagem e absorção de conhecimento”, contou.

Professora na Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP Guarujá), Carla está ampliando o projeto de 2013 e usando outras modalidades esportivas no seu estudo. A docente desenvolve o projeto na UNAERP com a comunidade ao redor da Universidade e com os alunos da graduação. Para Carla Luguetti, é necessário criar espaços onde os jovens enxerguem novas oportunidades, e ela crê que o esporte pode colaborar bastante nesse sentido.

“O esporte sem dúvida é um meio para isso, mas não de qualquer forma. O grande interesse da minha linha de pesquisa é qual o papel do professor no processo de transformação deles por meio do esporte”.

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1 comentários

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  1. Avatar Rosangela Busto disse:

    Adorei seu relato.
    Trabalhei muitos anos com projetos de extensão na Universidade Estadual de Londrina, os resultados são realmente maravilhosos.
    Parabéns.
    Rosangela Marques Busto
    Docente Aposentada da Universidade Estadual de Londrina